sexta-feira, 3 de agosto de 2018

3, 2, 1... e nada de novo no Porto do Cais do Pico!


No passado dia 30 de julho de 2018, pelas 20h20, o Porto do Cais do Pico, localizado na vila de São Roque do Pico, registou um afluxo interessante e simultâneo de navios — mais concretamente, 3 (três) navios precisaram de operar no principal porto comercial da ilha montanha, a saber:
Ora bem, devido às limitações desta infraestrutura portuária, apenas pode operar um destes navios de cada vez no Porto do Cais do Pico, o que implicou (1) que operasse primeiro o 'Mega Jet', recorrendo à rampa ro-ro, enquanto os restantes aguardavam ao largo, (2) depois foi a vez do 'Gilberto Mariano' fazer uso do porto, bem como da respetiva rampa ro-ro, e (3) finalmente o 'São Jorge' pôde descarregar graneis líquidos.


Esta situação veio demonstrar, mais uma vez (pois a procura simultânea por este porto é recorrente), a necessidade de melhorar o complexo portuário do Cais do Pico, dotando-o de mais um ponto de atracação. Por outras palavras, apenas com 2 (dois) pontos distintos, onde podem operar navios de porte médio, é possível garantir simultaneidade na operação de navios, o que também acarreta outras vantagens:
E há solução para este problema? Claro que sim! A engenharia serve para resolver problemas, não para os potenciar, e não é crível que não haja uma solução válida e eficaz para dotar o Porto do Cais do Pico com melhores condições! Há até quem diga que na engenharia não há impossíveis, mais sim que é tudo uma questão de tempo, e a história mostra isso mesmo: a engenharia permitiu que o Homem fosse à Lua e que exista um resort de ski numa cidade junto ao deserto (Ski Dubai), portanto um novo ponto de atracagem na baía do Cais do Pico, no coração da vila de São Roque do Pico, não pode ser um feito impossível!

Claro que a solução não é única e há várias hipóteses possíveis, bem como é importante avaliar o custo/benefício das alternativas. Atente-se a 1 (um) exemplo dado a conhecer em março de 2016, proposto pelo piloto de barra do Porto do Cais do Pico durante uma sessão extraordinária da Assembleia Municipal de São Roque do Pico que contou com a presença do Presidente do Governo Regional, exemplo esse que consiste num novo cais acostável, paralelo ao existente, e que resolvia o atual constrangimento de não existir uma zona para passageiros e outra para cargas que sejam independentes.


Note-se, também, que esta proposta é integradora e resolve indiretamente parte do problema de zonas de atracagem em mar aberto: como no final se ficaria com duas rampas ro-ro funcionais e orientadas de forma oposta, uma determinada ondulação que afetasse negativamente uma delas, muito provavelmente não seria um problema na outra. Além disso, vale a pela realçar outra vantagem de ter dois pontos de atracagem com duas rampas ro-ro, ao invés de um porto mais comprido com apenas uma destas rampas: dois navios de passageiros poderiam operar também em simultâneo, o que significaria que, recorrendo ao que aconteceu no dia 30 de julho, os navios 'Mega Jet' e 'Gilberto Mariano' poderiam operar simultaneamente, enquanto que num porto mais comprido não se poderia, pelo menos, desembarcar/embarcar viaturas nestes dois navios ao mesmo tempo, isto é, com um porto mais comprido manteria-se o tempo de espera para um segundo navio de passageiros e parte do constrangimento atual.

Então, se a solução não é impossível, e atendendo ao que o Governo Regional já afirmou no passado, nomeadamente que "está tomada a decisão política de se construir um novo terminal marítimo em São Roque do Pico", o que é que falta para melhorar esta importante infraestrutura sob alçada da Portos dos Açores? Será dinheiro, vontade ou convicção de que o prometido (há muitos e longos anos) deve ser cumprido? A verdade ninguém sabe e por enquanto a única realidade e facto comprovado na atualidade é que não há nada de novo no Porto do Cais do Pico!

Haja saúde!

Post scriptum: Esta mesma situação voltou a ter lugar no dia 6 de agosto de 2018 (curiosamente à mesma hora).